sexta-feira, julho 09, 2004

 

A solução para os pré-fabricados

A instalação de pavilhões pré-fabricados na Escola Básica 2 do Montijo tem vindo a dominar nas últimas semanas as discussões sobre o parque escolar do Concelho. Esta questão deriva da decisão de encerramento de todos os estabelecimentos de ensino mediatizado, vulgarmente conhecidos por Tele-Escolas, no final do presente ano lectivo. Esta é uma decisão positiva, tomada pelo actual Governo e que, ao abolir o ensino baseado principalmente na televisão, favorece o contacto pedagógico presencial entre o professor e o aluno, aumentando a qualidade do ensino em Portugal. No Concelho do Montijo, o encerramento da Tele-escola implica a transferência de cerca de 100 alunos do 5º e 6º ano, oriundos principalmente da freguesia de Sarilhos Grandes, para a Escola Básica 2 do Montijo (antigo Ciclo Preparatório). Contudo, e segundo os responsáveis desta escola, o funcionamento da mesma já se encontra no limite das suas capacidades, não podendo comportar mais alunos sem comprometer a qualidade do ensino.

Câmara foge às responsabilidades

Confrontada com o problema pelos responsáveis da Escola Básica 2 na última Assembleia Municipal, a Dra. Amélia Antunes ironizou. Inicialmente mostrou-se solidária com a escola, mas acrescentou, logo de seguida, que o problema não diz respeito à Câmara do Montijo mas exclusivamente à DREL e ao Ministério da Educação. Contudo, as coisas não são bem assim. Senão vejamos, a descentralização das competências da Administração Central para as Autarquias em matéria de planeamento, ordenamento e investimentos nos equipamentos do escolares co-responsabilizam a Autarquia pelas condições dos estabelecimentos de ensino do Concelho. O que se passa no Montijo é que o executivo liderado pela Dra. Amélia Antunes tem revelado uma enorme falta de capacidade para levar a cabo estas novas competências. A nível pessoal, penso que os serviços do Ministério da Educação têm um papel a desempenhar em todo o processo, mas será que a Dra. Amélia Antunes acredita que a Direcção Regional de Educação de Lisboa que tem a seu cargo mais de 4.000 estabelecimentos de ensino, 60.000 professores e 600.000 alunos irá, por milagre, resolver o problema destes 100 jovens do Montijo?! Parece-me óbvio que a Câmara não está de boa fé em todo este processo.

A solução para o problema

A JSD do Montijo encontra-se realmente empenhada na resolução dos problemas do parque escolar do Concelho e, de uma forma construtiva, apresentará à Autarquia e à DREL uma solução para este problema concreto. A nosso ver, a solução passa pela inclusão na Escola Secundária Poeta Joaquim Serra dos 5º e 6º anos, optimizando a capacidade actual do estabelecimento de ensino e minimizando as distâncias percorridas pelos alunos. Segundo o diagnóstico que a JSD realizou, esta escola tem capacidade para 42 turmas, encontrando-se actualmente com 38 em funcionamento. Assim, a criação de mais 4 turmas com cerca de 25 alunos cada irá permitir a acomodação dos 100 alunos da Tele-escola, com todas as infra-estruturas de ensino a funcionarem de acordo com o dimensionamento previsto. Esta é também a melhor solução em termos de localização, uma vez que implica uma pequena deslocação dos alunos de Sarilhos Grandes para a Bela Vista, em vez de uma deslocação mais demorada e com mudança de autocarros no Montijo.

Como na maior parte dos casos, a solução para o problema é simples e conhecida da maior parte dos intervenientes do sector. Contudo, quando a própria Autarquia desconhece o diagnóstico da situação actual nas escolas, não há volta a dar-lhe. E a única solução possível é “sacudir a água do capote”, como fez a Dra. Amélia Antunes na última Assembleia Municipal, alheando-se do futuro de 100 jovens do Montijo.

Publicado em Jornal do Montijo, 12/03/2004
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