quarta-feira, julho 21, 2004
A decisão não poderia ter sido outra
Por Carlos Fradique
Vereador
Presidente do PSD Montijo
O Presidente Jorge Sampaio não marcou eleições antecipadas e com esta atitude, só mostrou que é um homem de bom senso.
Devo confessar que nunca votei nele, mas admirei a sua atitude ponderada.
Quem não ficou satisfeito foram os socialistas, comunistas e bloquistas, que julgavam que a convocação de eleições antecipadas era um facto garantido.
Pretendiam ganhar na secretaria o que perderam nas urnas, nas últimas eleições legislativas de 2002.
O Presidente Jorge Sampaio decidiu bem. Ouviu os conselhos das mais altas personalidades da nação e decidiu. Tomou a decisão correcta.
Basta olhar para o que actualmente se passa no Partido Socialista. O Dr. Ferro Rodrigues demitiu-se e, no entanto, uns dias antes tinha prometido uma vitória com maioria absoluta. Colocou a fasquia muito alta na convicção que o seu “amigo” Sampaio o ajudaria a escalar até ao topo. Enganou-se.
Por aquilo que se vê agora, havia uma paz podre no PS. E o Dr. Jorge Sampaio sabia-o ou previa o que poderia acontecer. Mas isto são assuntos internos do PS, nos quais não me quero intrometer.
O Dr. Jorge Sampaio também acautelou na sua decisão, a elevada probabilidade de nenhuma força política vir a obter maioria absoluta. No caso do PS poder vir a ser o partido mais votado, e não obter maioria absoluta, Portugal teria um Governo PS/Bloco de Esquerda, o que seria catastrófico para o nosso País.
Mas o que lá vai, lá vai e depois de uma boa decisão, há que olhar para o futuro.
Portugal está no bom caminho. Temos um Governo que assegurará a continuidade das políticas dos últimos dois anos que já estão a dar os seus frutos. A retoma económica já está aí. Todos os indicadores a confirmam e os Portugueses irão senti-la no bolso, em breve.
Vamos entrar numa nova fase de governação para completar a legislatura de quatro anos. Vai ter um estilo diferente e uma dinâmica adequada aos novos tempos. As reformas estruturais da economia vão continuar e estou seguro que a nova equipa governamental terá sucesso na sua tarefa.
Daqui a dois anos, este Governo será julgado pelos Portugueses pelo que fez e pelo que preparou para o futuro. É assim que deve ser.
Desta forma, a decisão do Dr. Jorge Sampaio garantiu a estabilidade governativa e assegurou a continuidade das políticas que têm vindo a ser postas em prática e que são imprescindíveis para o desenvolvimento do nosso País.
O julgamento que o Dr. Jorge Sampaio fez da situação política do País foi o mais adequado e as reacções desastradas de toda a Esquerda demonstram-no.
Por isso eu digo: A decisão não poderia ter sido outra!
Vereador
Presidente do PSD Montijo
O Presidente Jorge Sampaio não marcou eleições antecipadas e com esta atitude, só mostrou que é um homem de bom senso.
Devo confessar que nunca votei nele, mas admirei a sua atitude ponderada.
Quem não ficou satisfeito foram os socialistas, comunistas e bloquistas, que julgavam que a convocação de eleições antecipadas era um facto garantido.
Pretendiam ganhar na secretaria o que perderam nas urnas, nas últimas eleições legislativas de 2002.
O Presidente Jorge Sampaio decidiu bem. Ouviu os conselhos das mais altas personalidades da nação e decidiu. Tomou a decisão correcta.
Basta olhar para o que actualmente se passa no Partido Socialista. O Dr. Ferro Rodrigues demitiu-se e, no entanto, uns dias antes tinha prometido uma vitória com maioria absoluta. Colocou a fasquia muito alta na convicção que o seu “amigo” Sampaio o ajudaria a escalar até ao topo. Enganou-se.
Por aquilo que se vê agora, havia uma paz podre no PS. E o Dr. Jorge Sampaio sabia-o ou previa o que poderia acontecer. Mas isto são assuntos internos do PS, nos quais não me quero intrometer.
O Dr. Jorge Sampaio também acautelou na sua decisão, a elevada probabilidade de nenhuma força política vir a obter maioria absoluta. No caso do PS poder vir a ser o partido mais votado, e não obter maioria absoluta, Portugal teria um Governo PS/Bloco de Esquerda, o que seria catastrófico para o nosso País.
Mas o que lá vai, lá vai e depois de uma boa decisão, há que olhar para o futuro.
Portugal está no bom caminho. Temos um Governo que assegurará a continuidade das políticas dos últimos dois anos que já estão a dar os seus frutos. A retoma económica já está aí. Todos os indicadores a confirmam e os Portugueses irão senti-la no bolso, em breve.
Vamos entrar numa nova fase de governação para completar a legislatura de quatro anos. Vai ter um estilo diferente e uma dinâmica adequada aos novos tempos. As reformas estruturais da economia vão continuar e estou seguro que a nova equipa governamental terá sucesso na sua tarefa.
Daqui a dois anos, este Governo será julgado pelos Portugueses pelo que fez e pelo que preparou para o futuro. É assim que deve ser.
Desta forma, a decisão do Dr. Jorge Sampaio garantiu a estabilidade governativa e assegurou a continuidade das políticas que têm vindo a ser postas em prática e que são imprescindíveis para o desenvolvimento do nosso País.
O julgamento que o Dr. Jorge Sampaio fez da situação política do País foi o mais adequado e as reacções desastradas de toda a Esquerda demonstram-no.
Por isso eu digo: A decisão não poderia ter sido outra!
sexta-feira, julho 09, 2004
O Euro 2004 e a Alma Portuguesa
Confesso que antes do Euro 2004 mantinha uma atitude céptica em relação aos milhões de euros investidos nos 10 novos estádios de futebol. Na minha lógica de economista, as dificuldades económicas do País não se compadeciam com os investimentos avultados nos estádios, que trariam reduzidos benefícios futuros para Portugal.
Estava errado. O Euro 2004, mais que a Expo 98, trouxe-nos de novo a alma e o orgulho de ser Português. E isso não tem preço.
Pela primeira vez, os Portugueses mobilizaram-se por uma causa nacional. A pretexto do futebol, as ruas encheram-se de bandeiras nacionais, os Portugueses reaprenderam o hino, vestiram-se e pintaram-se de verde e vermelho, vibraram com cada golo marcado pela selecção e gritaram bem alto o nome de Portugal.
Deixámos e deixaram de nos encarar como um pequeno País periférico e relativamente pobre do continente europeu. Passámos a ser o centro da Europa unida pelo desporto.
Acreditámos que era possível. E foi possível.
De sonho em sonho, derrotámos selecções de nível internacional e alcançámos a grande final. No jogo decisivo, os deuses deviam estar loucos. Perdemos o jogo mas a vitória foi nossa. Festejámos a nossa selecção, a organização do melhor campeonato europeu de futebol de sempre e a redescoberta do nosso patriotismo e auto-estima.
Muitas das bandeiras nacionais continuam desfraldadas nas casas dos Portugueses. A semente do orgulho nacional foi lançada, pegou e em breve dará os seus frutos.
Agora, resta-nos agradecer à selecção e ao seu treinador por nos terem despertado da apatia da vida quotidiana. Resta-nos canalizar o ânimo redobrado para as grandes causas nacionais: a melhoria da educação, dos cuidados de saúde e o aumento da produtividade e competitividade da nossa economia.
Mobilizados, motivados e unidos, tal como durante as quatro semanas do Euro 2004, alcançaremos a vitória suprema: a construção de um Portugal cada vez melhor!
Publicado em Jornal do Montijo, 09/07/2004
Estava errado. O Euro 2004, mais que a Expo 98, trouxe-nos de novo a alma e o orgulho de ser Português. E isso não tem preço.
Pela primeira vez, os Portugueses mobilizaram-se por uma causa nacional. A pretexto do futebol, as ruas encheram-se de bandeiras nacionais, os Portugueses reaprenderam o hino, vestiram-se e pintaram-se de verde e vermelho, vibraram com cada golo marcado pela selecção e gritaram bem alto o nome de Portugal.
Deixámos e deixaram de nos encarar como um pequeno País periférico e relativamente pobre do continente europeu. Passámos a ser o centro da Europa unida pelo desporto.
Acreditámos que era possível. E foi possível.
De sonho em sonho, derrotámos selecções de nível internacional e alcançámos a grande final. No jogo decisivo, os deuses deviam estar loucos. Perdemos o jogo mas a vitória foi nossa. Festejámos a nossa selecção, a organização do melhor campeonato europeu de futebol de sempre e a redescoberta do nosso patriotismo e auto-estima.
Muitas das bandeiras nacionais continuam desfraldadas nas casas dos Portugueses. A semente do orgulho nacional foi lançada, pegou e em breve dará os seus frutos.
Agora, resta-nos agradecer à selecção e ao seu treinador por nos terem despertado da apatia da vida quotidiana. Resta-nos canalizar o ânimo redobrado para as grandes causas nacionais: a melhoria da educação, dos cuidados de saúde e o aumento da produtividade e competitividade da nossa economia.
Mobilizados, motivados e unidos, tal como durante as quatro semanas do Euro 2004, alcançaremos a vitória suprema: a construção de um Portugal cada vez melhor!
Publicado em Jornal do Montijo, 09/07/2004
A Grande Área Metropolitana da Península de Setúbal
Com a Lei n.º 10/2003, de 13 de Maio, o Governo instituiu as Grandes Áreas Metropolitanas, as Comunidades Urbanas e as Comunidades Inter-Municipais.
Esta lei assenta no princípio de que os municípios devem prosseguir atribuições de interesse municipal, enquanto as comunidades de municípios devem prosseguir atribuições de interesse intermunicipal, que ultrapassem as fronteiras municipais, contrariando velhas soluções centradas no isolacionismo.
O presente diploma representa, sem sombra de dúvida, um marco na descentralização do Estado, na renovação da Administração Pública, na reorganização dos sistemas urbanos, no desenvolvimento regional e no fortalecimento do poder local. Trata-se de apostar no nascimento de novos pólos urbanos, atractivos e competitivos, susceptíveis de enfrentar os desafios inevitáveis da globalização.
Contudo, a região da Península de Setúbal perdeu esta oportunidade única de se agrupar numa Grande Área Metropolitana e de liderar este processo a nível nacional.
Os municípios da Península de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Palmela, Moita, Montijo, Seixal, Sesimbra e Setúbal) cumprem os dois requisitos legais para a formação de uma Grande Área Metropolitana: têm um número igual ou superior a 9 Concelhos contínuos geograficamente e possuem mais de 350.000 habitantes.
O que falta é a vontade política para avançar. E aqui reside o centro da questão.
Curiosamente, ou talvez não, os 9 municípios da Península de Setúbal têm à sua frente executivos socialistas ou comunistas, que encaram a colagem da nossa região à região de Lisboa, onde também detêm a maioria das Autarquias, como uma salvaguarda de manutenção do poder.
Ora, quando a lógica da manutenção do poder subverte a lógica da defesa dos interesses das populações, algo vai mal.
Quando são os próprios autarcas a rejeitarem oportunidades da Administração Central para se organizarem e defenderem a qualidade de vida das suas populações, inseridos numa região própria, estão a colocar em jogo toda a qualidade de vida dos seus habitantes.
A defesa dos interesses da nossa região, integrada na actual Área Metropolitana de Lisboa, é muito mais difícil uma vez que, em termos populacionais, não representamos mais que 25% da população total.
Pelo contrário, se nos organizarmos numa Grande Área Metropolitana da Península de Setúbal, autónoma de Lisboa, representamos cerca de 9% da população portuguesa, cerca de 2 vezes a população do Alentejo ou 4 vezes a população dos Açores.
Assim organizados, podemos planear o nosso desenvolvimento fora de uma lógica de dependência e de suburbanidade, garantindo o sucesso e sustentabilidade da nossa região no longo prazo.
Se não formos nós a defender os nossos interesses, quem os defenderá?
Publicado em Jornal do Montijo, 21/05/2004
Esta lei assenta no princípio de que os municípios devem prosseguir atribuições de interesse municipal, enquanto as comunidades de municípios devem prosseguir atribuições de interesse intermunicipal, que ultrapassem as fronteiras municipais, contrariando velhas soluções centradas no isolacionismo.
O presente diploma representa, sem sombra de dúvida, um marco na descentralização do Estado, na renovação da Administração Pública, na reorganização dos sistemas urbanos, no desenvolvimento regional e no fortalecimento do poder local. Trata-se de apostar no nascimento de novos pólos urbanos, atractivos e competitivos, susceptíveis de enfrentar os desafios inevitáveis da globalização.
Contudo, a região da Península de Setúbal perdeu esta oportunidade única de se agrupar numa Grande Área Metropolitana e de liderar este processo a nível nacional.
Os municípios da Península de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Palmela, Moita, Montijo, Seixal, Sesimbra e Setúbal) cumprem os dois requisitos legais para a formação de uma Grande Área Metropolitana: têm um número igual ou superior a 9 Concelhos contínuos geograficamente e possuem mais de 350.000 habitantes.
O que falta é a vontade política para avançar. E aqui reside o centro da questão.
Curiosamente, ou talvez não, os 9 municípios da Península de Setúbal têm à sua frente executivos socialistas ou comunistas, que encaram a colagem da nossa região à região de Lisboa, onde também detêm a maioria das Autarquias, como uma salvaguarda de manutenção do poder.
Ora, quando a lógica da manutenção do poder subverte a lógica da defesa dos interesses das populações, algo vai mal.
Quando são os próprios autarcas a rejeitarem oportunidades da Administração Central para se organizarem e defenderem a qualidade de vida das suas populações, inseridos numa região própria, estão a colocar em jogo toda a qualidade de vida dos seus habitantes.
A defesa dos interesses da nossa região, integrada na actual Área Metropolitana de Lisboa, é muito mais difícil uma vez que, em termos populacionais, não representamos mais que 25% da população total.
Pelo contrário, se nos organizarmos numa Grande Área Metropolitana da Península de Setúbal, autónoma de Lisboa, representamos cerca de 9% da população portuguesa, cerca de 2 vezes a população do Alentejo ou 4 vezes a população dos Açores.
Assim organizados, podemos planear o nosso desenvolvimento fora de uma lógica de dependência e de suburbanidade, garantindo o sucesso e sustentabilidade da nossa região no longo prazo.
Se não formos nós a defender os nossos interesses, quem os defenderá?
Publicado em Jornal do Montijo, 21/05/2004
A solução para os pré-fabricados
A instalação de pavilhões pré-fabricados na Escola Básica 2 do Montijo tem vindo a dominar nas últimas semanas as discussões sobre o parque escolar do Concelho. Esta questão deriva da decisão de encerramento de todos os estabelecimentos de ensino mediatizado, vulgarmente conhecidos por Tele-Escolas, no final do presente ano lectivo. Esta é uma decisão positiva, tomada pelo actual Governo e que, ao abolir o ensino baseado principalmente na televisão, favorece o contacto pedagógico presencial entre o professor e o aluno, aumentando a qualidade do ensino em Portugal. No Concelho do Montijo, o encerramento da Tele-escola implica a transferência de cerca de 100 alunos do 5º e 6º ano, oriundos principalmente da freguesia de Sarilhos Grandes, para a Escola Básica 2 do Montijo (antigo Ciclo Preparatório). Contudo, e segundo os responsáveis desta escola, o funcionamento da mesma já se encontra no limite das suas capacidades, não podendo comportar mais alunos sem comprometer a qualidade do ensino.
Câmara foge às responsabilidades
Confrontada com o problema pelos responsáveis da Escola Básica 2 na última Assembleia Municipal, a Dra. Amélia Antunes ironizou. Inicialmente mostrou-se solidária com a escola, mas acrescentou, logo de seguida, que o problema não diz respeito à Câmara do Montijo mas exclusivamente à DREL e ao Ministério da Educação. Contudo, as coisas não são bem assim. Senão vejamos, a descentralização das competências da Administração Central para as Autarquias em matéria de planeamento, ordenamento e investimentos nos equipamentos do escolares co-responsabilizam a Autarquia pelas condições dos estabelecimentos de ensino do Concelho. O que se passa no Montijo é que o executivo liderado pela Dra. Amélia Antunes tem revelado uma enorme falta de capacidade para levar a cabo estas novas competências. A nível pessoal, penso que os serviços do Ministério da Educação têm um papel a desempenhar em todo o processo, mas será que a Dra. Amélia Antunes acredita que a Direcção Regional de Educação de Lisboa que tem a seu cargo mais de 4.000 estabelecimentos de ensino, 60.000 professores e 600.000 alunos irá, por milagre, resolver o problema destes 100 jovens do Montijo?! Parece-me óbvio que a Câmara não está de boa fé em todo este processo.
A solução para o problema
A JSD do Montijo encontra-se realmente empenhada na resolução dos problemas do parque escolar do Concelho e, de uma forma construtiva, apresentará à Autarquia e à DREL uma solução para este problema concreto. A nosso ver, a solução passa pela inclusão na Escola Secundária Poeta Joaquim Serra dos 5º e 6º anos, optimizando a capacidade actual do estabelecimento de ensino e minimizando as distâncias percorridas pelos alunos. Segundo o diagnóstico que a JSD realizou, esta escola tem capacidade para 42 turmas, encontrando-se actualmente com 38 em funcionamento. Assim, a criação de mais 4 turmas com cerca de 25 alunos cada irá permitir a acomodação dos 100 alunos da Tele-escola, com todas as infra-estruturas de ensino a funcionarem de acordo com o dimensionamento previsto. Esta é também a melhor solução em termos de localização, uma vez que implica uma pequena deslocação dos alunos de Sarilhos Grandes para a Bela Vista, em vez de uma deslocação mais demorada e com mudança de autocarros no Montijo.
Como na maior parte dos casos, a solução para o problema é simples e conhecida da maior parte dos intervenientes do sector. Contudo, quando a própria Autarquia desconhece o diagnóstico da situação actual nas escolas, não há volta a dar-lhe. E a única solução possível é “sacudir a água do capote”, como fez a Dra. Amélia Antunes na última Assembleia Municipal, alheando-se do futuro de 100 jovens do Montijo.
Publicado em Jornal do Montijo, 12/03/2004
Câmara foge às responsabilidades
Confrontada com o problema pelos responsáveis da Escola Básica 2 na última Assembleia Municipal, a Dra. Amélia Antunes ironizou. Inicialmente mostrou-se solidária com a escola, mas acrescentou, logo de seguida, que o problema não diz respeito à Câmara do Montijo mas exclusivamente à DREL e ao Ministério da Educação. Contudo, as coisas não são bem assim. Senão vejamos, a descentralização das competências da Administração Central para as Autarquias em matéria de planeamento, ordenamento e investimentos nos equipamentos do escolares co-responsabilizam a Autarquia pelas condições dos estabelecimentos de ensino do Concelho. O que se passa no Montijo é que o executivo liderado pela Dra. Amélia Antunes tem revelado uma enorme falta de capacidade para levar a cabo estas novas competências. A nível pessoal, penso que os serviços do Ministério da Educação têm um papel a desempenhar em todo o processo, mas será que a Dra. Amélia Antunes acredita que a Direcção Regional de Educação de Lisboa que tem a seu cargo mais de 4.000 estabelecimentos de ensino, 60.000 professores e 600.000 alunos irá, por milagre, resolver o problema destes 100 jovens do Montijo?! Parece-me óbvio que a Câmara não está de boa fé em todo este processo.
A solução para o problema
A JSD do Montijo encontra-se realmente empenhada na resolução dos problemas do parque escolar do Concelho e, de uma forma construtiva, apresentará à Autarquia e à DREL uma solução para este problema concreto. A nosso ver, a solução passa pela inclusão na Escola Secundária Poeta Joaquim Serra dos 5º e 6º anos, optimizando a capacidade actual do estabelecimento de ensino e minimizando as distâncias percorridas pelos alunos. Segundo o diagnóstico que a JSD realizou, esta escola tem capacidade para 42 turmas, encontrando-se actualmente com 38 em funcionamento. Assim, a criação de mais 4 turmas com cerca de 25 alunos cada irá permitir a acomodação dos 100 alunos da Tele-escola, com todas as infra-estruturas de ensino a funcionarem de acordo com o dimensionamento previsto. Esta é também a melhor solução em termos de localização, uma vez que implica uma pequena deslocação dos alunos de Sarilhos Grandes para a Bela Vista, em vez de uma deslocação mais demorada e com mudança de autocarros no Montijo.
Como na maior parte dos casos, a solução para o problema é simples e conhecida da maior parte dos intervenientes do sector. Contudo, quando a própria Autarquia desconhece o diagnóstico da situação actual nas escolas, não há volta a dar-lhe. E a única solução possível é “sacudir a água do capote”, como fez a Dra. Amélia Antunes na última Assembleia Municipal, alheando-se do futuro de 100 jovens do Montijo.
Publicado em Jornal do Montijo, 12/03/2004
As Escolas do Montijo e o incumprimento da Lei
O Ensino é um tema que me preocupa e fascina. Foi com grande satisfação que na passada semana eu e os meus colegas da JSD discutimos com o Sr. Ministro da Educação as condições do parque escolar do Montijo, a propósito da entrega de um relatório de diagnóstico às escolas do 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário do nosso Concelho. De um modo geral, pode concluir-se que as condições dos 4 estabelecimentos de ensino analisados estão longe do desejável em termos de adequação à qualidade de ensino que ambicionamos para o Montijo.
Cada escola é um caso
Os problemas identificados são variados e específicos a cada estabelecimento. A Escola EB 2,3 de Pegões, que resulta de um projecto escandinavo mal adaptado à realidade portuguesa, encontra-se actualmente sobre-lotada e com um quadro de 63 docentes, dos quais apenas 3 são efectivos. Na Escola Jorge Peixinho, dos 34 funcionários de acção educativa somente 20 estão no activo, fazendo com que espaços importantíssimos para os alunos como a biblioteca e a sala de estudo estejam encerrados por falta de funcionários. A segurança é um problema na Escola Secundária Poeta Joaquim Serra, onde a intrusão de pessoas estranhas é agravada pela insuficiente circulação policial pela escola. A Escola Profissional do Montijo sofre com a dispersão física dos espaços por vários edifícios e a irregularidade das transferências financeiras do Ministério da Educação. Todavia, nem tudo são problemas. Também se encontram boas práticas na gestão escolar dos estabelecimentos de ensino do Montijo, como os protocolos para estágios de alunos deficientes celebrados pela escola de Pegões com empresas locais, o dinamismo de professores e alunos da escola Joaquim Serra na realização de iniciativas extra-curriculares, a existência de um corpo docente sólido e com elevada experiência na escola Jorge Peixinho e a taxa de empregabilidade de 80% dos estagiários formados pela Escola Profissional.
Câmara do Montijo não cumpre a Lei
Outra das conclusões do relatório que entregámos ao Sr. Ministro tem a ver com a não existência de uma Carta Educativa no Concelho do Montijo, num claro desrespeito da Lei. Concretamente, a Carta Educativa deveria ser elaborada até 7 de Janeiro de 2004, um ano após a publicação do DL 7/2003 que institui este instrumento. Assim, há cerca de 2 meses que o Concelho do Montijo vive à margem da Lei em termos de instrumentos de planeamento e ordenamento de edifícios e equipamentos educativos. Mais estranho é o facto de existir na estrutura orgânica da Câmara um Gabinete de Apoio ao Ensino, onde se incluem três técnicos superiores com elevada experiência e vários estagiários licenciados e a Autarquia do Montijo estar a procurar subcontratar a elaboração da Carta Educativa a empresas privadas e a universidades, por vários milhares de contos.
Devo aqui dizer que me voluntario desde já para a elaboração da Carta Educativa. Já que ajudei a colmatar a falha da Autarquia no diagnóstico da situação actual de algumas das escolas do Concelho, posso concluir o trabalho e ajudar a elaborar o documento de planeamento estratégico do ensino para o Montijo. Curioso é o facto de aqueles que no executivo camarário são os paladinos do cumprimento da Lei, não adoptem agora a mesma bitola na gestão da Autarquia.
Publicado em Jornal do Montijo, 05/03/2004
Cada escola é um caso
Os problemas identificados são variados e específicos a cada estabelecimento. A Escola EB 2,3 de Pegões, que resulta de um projecto escandinavo mal adaptado à realidade portuguesa, encontra-se actualmente sobre-lotada e com um quadro de 63 docentes, dos quais apenas 3 são efectivos. Na Escola Jorge Peixinho, dos 34 funcionários de acção educativa somente 20 estão no activo, fazendo com que espaços importantíssimos para os alunos como a biblioteca e a sala de estudo estejam encerrados por falta de funcionários. A segurança é um problema na Escola Secundária Poeta Joaquim Serra, onde a intrusão de pessoas estranhas é agravada pela insuficiente circulação policial pela escola. A Escola Profissional do Montijo sofre com a dispersão física dos espaços por vários edifícios e a irregularidade das transferências financeiras do Ministério da Educação. Todavia, nem tudo são problemas. Também se encontram boas práticas na gestão escolar dos estabelecimentos de ensino do Montijo, como os protocolos para estágios de alunos deficientes celebrados pela escola de Pegões com empresas locais, o dinamismo de professores e alunos da escola Joaquim Serra na realização de iniciativas extra-curriculares, a existência de um corpo docente sólido e com elevada experiência na escola Jorge Peixinho e a taxa de empregabilidade de 80% dos estagiários formados pela Escola Profissional.
Câmara do Montijo não cumpre a Lei
Outra das conclusões do relatório que entregámos ao Sr. Ministro tem a ver com a não existência de uma Carta Educativa no Concelho do Montijo, num claro desrespeito da Lei. Concretamente, a Carta Educativa deveria ser elaborada até 7 de Janeiro de 2004, um ano após a publicação do DL 7/2003 que institui este instrumento. Assim, há cerca de 2 meses que o Concelho do Montijo vive à margem da Lei em termos de instrumentos de planeamento e ordenamento de edifícios e equipamentos educativos. Mais estranho é o facto de existir na estrutura orgânica da Câmara um Gabinete de Apoio ao Ensino, onde se incluem três técnicos superiores com elevada experiência e vários estagiários licenciados e a Autarquia do Montijo estar a procurar subcontratar a elaboração da Carta Educativa a empresas privadas e a universidades, por vários milhares de contos.
Devo aqui dizer que me voluntario desde já para a elaboração da Carta Educativa. Já que ajudei a colmatar a falha da Autarquia no diagnóstico da situação actual de algumas das escolas do Concelho, posso concluir o trabalho e ajudar a elaborar o documento de planeamento estratégico do ensino para o Montijo. Curioso é o facto de aqueles que no executivo camarário são os paladinos do cumprimento da Lei, não adoptem agora a mesma bitola na gestão da Autarquia.
Publicado em Jornal do Montijo, 05/03/2004
Qual é o valor de uma vida?
O espírito natalício obriga-nos a reflectir sobre outro tipo de asssuntos que não os nossos pequenos problemas do dia-a-dia. Assuntos mais profundos, por vezes até perturbadores, mas que dão sentido à nossa vida em sociedade. É o caso da interrupção voluntária da gravidez, normalmente designada por aborto.
Provavelmente, seria mais fácil para mim falar-vos da pouca dignidade das comemorações do Natal na cidade do Montijo, relembrando o presépio colocado no cimo do coreto a imitar um concerto de rock, os figurinos decapitados e alvos de vandalismo, a feira de Natal e os seus visitantes invisíveis, ou até, e para referir um dos aspectos positivos, a magnífica iluminação de Natal do Santuário da Nossa Sra. da Atalaia, que cada vez mais se posiciona como o altar de toda a Região.
Contudo, quero iniciar este novo ano de 2004 com um tema superior a todas estas pequenas questões que, por vezes, nos retiram o tempo de discutir os assuntos verdadeiramente importantes.
Nas últimas semanas temos sido testemunhas de algumas atitudes irresponsáveis dos partidos da oposição face ao aborto. A CDU, o BE e o PS transformaram o julgamento de mulheres que praticaram aborto e o indulto presidencial a um enfermeira num show off político a favor do aborto. Também no Montijo, na última Assembleia Muncipal de 2003, quando se deveria discutir o orçamento da Autarquia e dos SMAS para 2004, que contém irregularidades puníveis por lei, o PS e a CDU apresentaram duas moções sobre a descriminalização do aborto, ignorando que esta questão deveria ser reservada aos fóruns competentes, nomeadamente a Assembleia da República e o Governo.
Contudo, apesar da forma irresponsável com que os partidos de esquerda tratam a questão, o aborto é um problema que afecta toda a sociedade portuguesa e que deve ser assumido como uma temática que diz respeito à consciência individual de cada cidadão.
Todos somos a favor da vida humana e o aborto não pode ser considerado um método de contracepção. A prevenção do aborto é a única solução possível para o problema e esta passa pela adopção de medidas dirigidas aos jovens nas áreas de planeamento familiar, formação sobre a sexualidade, acesso a meios contraceptivos e também na constituição de sistema nacional que facilite a adopção e o acolhimento de recém-nascidos que não podem ser criados pelos pais naturais. Só com uma formação cívica forte e insituições sociais de apoio a pais carenciados, a sociedade portuguesa será capaz de responder eficazmente ao problema do aborto.
É preciso compreender que na barriga de uma grávida está depositada uma vida, que é única e irrepetível, sagrada desde a sua concepção, e que cabe aos pais, mas também a toda a sociedade, protegê-la e tudo fazer para que possa viver, da melhor maneira, entre nós.
Desta forma, em tempos conturbados como os que actualmente vivemos, com uma grave crise de valores, princípios e causas, temos de enviar sinais claros para a sociedade em termos de responsabilização individual (dos pais) e colectiva (de toda a sociedade) para o valor de uma vida humana. As propostas dos partidos de esquerda vão no caminho errado da desresponsabilização e do facilitismo face a um grave problema.
Mesmo os que defendem a despenalização do aborto concordam que esta prática deve ser evitada e apenas utilizada em último recurso. Ora, se o que queremos é que não se pratiquem abortos, porquê facilitá-los?
Publicado em Jornal do Montijo, 09/01/2004
Provavelmente, seria mais fácil para mim falar-vos da pouca dignidade das comemorações do Natal na cidade do Montijo, relembrando o presépio colocado no cimo do coreto a imitar um concerto de rock, os figurinos decapitados e alvos de vandalismo, a feira de Natal e os seus visitantes invisíveis, ou até, e para referir um dos aspectos positivos, a magnífica iluminação de Natal do Santuário da Nossa Sra. da Atalaia, que cada vez mais se posiciona como o altar de toda a Região.
Contudo, quero iniciar este novo ano de 2004 com um tema superior a todas estas pequenas questões que, por vezes, nos retiram o tempo de discutir os assuntos verdadeiramente importantes.
Nas últimas semanas temos sido testemunhas de algumas atitudes irresponsáveis dos partidos da oposição face ao aborto. A CDU, o BE e o PS transformaram o julgamento de mulheres que praticaram aborto e o indulto presidencial a um enfermeira num show off político a favor do aborto. Também no Montijo, na última Assembleia Muncipal de 2003, quando se deveria discutir o orçamento da Autarquia e dos SMAS para 2004, que contém irregularidades puníveis por lei, o PS e a CDU apresentaram duas moções sobre a descriminalização do aborto, ignorando que esta questão deveria ser reservada aos fóruns competentes, nomeadamente a Assembleia da República e o Governo.
Contudo, apesar da forma irresponsável com que os partidos de esquerda tratam a questão, o aborto é um problema que afecta toda a sociedade portuguesa e que deve ser assumido como uma temática que diz respeito à consciência individual de cada cidadão.
Todos somos a favor da vida humana e o aborto não pode ser considerado um método de contracepção. A prevenção do aborto é a única solução possível para o problema e esta passa pela adopção de medidas dirigidas aos jovens nas áreas de planeamento familiar, formação sobre a sexualidade, acesso a meios contraceptivos e também na constituição de sistema nacional que facilite a adopção e o acolhimento de recém-nascidos que não podem ser criados pelos pais naturais. Só com uma formação cívica forte e insituições sociais de apoio a pais carenciados, a sociedade portuguesa será capaz de responder eficazmente ao problema do aborto.
É preciso compreender que na barriga de uma grávida está depositada uma vida, que é única e irrepetível, sagrada desde a sua concepção, e que cabe aos pais, mas também a toda a sociedade, protegê-la e tudo fazer para que possa viver, da melhor maneira, entre nós.
Desta forma, em tempos conturbados como os que actualmente vivemos, com uma grave crise de valores, princípios e causas, temos de enviar sinais claros para a sociedade em termos de responsabilização individual (dos pais) e colectiva (de toda a sociedade) para o valor de uma vida humana. As propostas dos partidos de esquerda vão no caminho errado da desresponsabilização e do facilitismo face a um grave problema.
Mesmo os que defendem a despenalização do aborto concordam que esta prática deve ser evitada e apenas utilizada em último recurso. Ora, se o que queremos é que não se pratiquem abortos, porquê facilitá-los?
Publicado em Jornal do Montijo, 09/01/2004
Os Blogs do Montijo
Numa altura em que se voltou a falar na Estratégia de Lisboa e no objectivo de tornar a UE no epaço económico mais competitivo a nível mundial até 2010, através de uma economia baseada no conhecimento e na informação, apareceram os primeiros blogs inteiramente dedicados à troca de ideias sobre o Concelho do Montijo na internet.
Para os menos familiarizados com o fenómeno da internet, um blog é simplesmente um “diário” em que um ou mais internautas publicam os seus textos por ordem cronológica. A grande novidade dos blogs consiste na facilidade de disponibilização de textos pessoais, já que o autor não necessita de conhecer linguagens de programação (nomeadamente html) para disponibilizar o seu texto no blog. Basta apenas ter conhecimentos elementares a nível de um processador de texto, como o Word.
O fenómeno dos fóruns electrónicos, e nomeadamente os blogs, há muito que tocou os jovens de todo o mundo, mas só agora é que se construíram os primeiros inteiramente dedicados ao Concelho do Montijo.
Apesar de não conhecer pessoalmente os autores dos referidos blogs, devo confessar que fiquei entusiasmado pelo facto de existirem cidadãos, (e penso que jovens cidadãos) que dedicam parte do seu tempo a pensar nos problemas do Montijo e que publicam as suas opiniões livremente para todos os milhões de internautas que as desejem consultar.
É claro que as opinões de cidadãos anónimos na internet, especialmente quando referem questões delicadas como problemas e suspeitas acerca do funcionamento dos SMAS, decisões do executivo socialista, o papel dos media e das oposições a nível local, entre outros, não deixam de causar alguma estranheza e repulsa para aqueles que, não estando habituados à liberdade de discurso da internet, optam pela estratégia da avestruz. De qualquer forma, as opiniões estão lá, e o facto é que milhares de pessoas as lêem.
No que me diz respeito, há já algum tempo que lido directamente com o crescente afastamento da população, e em especial dos jovens, face ao processo político e reconheço que a internet, pelo papel privilegiado que ocupa na vida dos jovens, pode vir a configurar-se como uma ferramenta de aproximação entre estes e o processo democrático.
Contudo, não encaro a democracia electrónica como a resolução de todos os problemas da actual democracia representativa. Considero, sim, que é apenas mais uma ferramenta para inverter a tendência de afastamento de algumas camadas da população e que pode ser um canal adicional de interecção entre o poder político, os seus representantes e os eleitores.
Espero que até ao final do actual mandato autárquico, o princípio da elaboração interactiva de políticas, consagrado este ano pela UE, seja implementado no Montijo, permitindo ao cidadão aceder comodamente, a qualquer hora, a partir da seu computador, às actas das reuniões de Câmara e das Assembleias Municipais e de Freguesia, analisar a documentação de uma consulta pública, requerer licenças, enviar comentários e sugestões directamente para os serviços da autarquia e realizar fóruns electrónicos e debates interactivos com os mais altos representantes políticos do Concelho.
Alguns podem pensar que tenho estado a falar num mundo virtual, tão distante que nem vale a pena prestar-lhe atenção, outros, concordarão que esta realidade está próxima e que, no limite, irá refundar o próprio conceito de cidadania.
A criação dos blogs foi mais um pequeno passo da sociedade civil montijense. Estejam os políticos à altura das expectativas dos cidadãos. Da minha parte, estas iniciativas merecerão toda a minha atenção e tudo farei para que o processo de relacionamento entre eleitos e eleitores seja estreitado.
E já que falamos de internet, aceito comentários ao artigo em: pedro.ladislau@netvisao.pt
Publicado em Jornal do Montijo, 01/10/2003
Para os menos familiarizados com o fenómeno da internet, um blog é simplesmente um “diário” em que um ou mais internautas publicam os seus textos por ordem cronológica. A grande novidade dos blogs consiste na facilidade de disponibilização de textos pessoais, já que o autor não necessita de conhecer linguagens de programação (nomeadamente html) para disponibilizar o seu texto no blog. Basta apenas ter conhecimentos elementares a nível de um processador de texto, como o Word.
O fenómeno dos fóruns electrónicos, e nomeadamente os blogs, há muito que tocou os jovens de todo o mundo, mas só agora é que se construíram os primeiros inteiramente dedicados ao Concelho do Montijo.
Apesar de não conhecer pessoalmente os autores dos referidos blogs, devo confessar que fiquei entusiasmado pelo facto de existirem cidadãos, (e penso que jovens cidadãos) que dedicam parte do seu tempo a pensar nos problemas do Montijo e que publicam as suas opiniões livremente para todos os milhões de internautas que as desejem consultar.
É claro que as opinões de cidadãos anónimos na internet, especialmente quando referem questões delicadas como problemas e suspeitas acerca do funcionamento dos SMAS, decisões do executivo socialista, o papel dos media e das oposições a nível local, entre outros, não deixam de causar alguma estranheza e repulsa para aqueles que, não estando habituados à liberdade de discurso da internet, optam pela estratégia da avestruz. De qualquer forma, as opiniões estão lá, e o facto é que milhares de pessoas as lêem.
No que me diz respeito, há já algum tempo que lido directamente com o crescente afastamento da população, e em especial dos jovens, face ao processo político e reconheço que a internet, pelo papel privilegiado que ocupa na vida dos jovens, pode vir a configurar-se como uma ferramenta de aproximação entre estes e o processo democrático.
Contudo, não encaro a democracia electrónica como a resolução de todos os problemas da actual democracia representativa. Considero, sim, que é apenas mais uma ferramenta para inverter a tendência de afastamento de algumas camadas da população e que pode ser um canal adicional de interecção entre o poder político, os seus representantes e os eleitores.
Espero que até ao final do actual mandato autárquico, o princípio da elaboração interactiva de políticas, consagrado este ano pela UE, seja implementado no Montijo, permitindo ao cidadão aceder comodamente, a qualquer hora, a partir da seu computador, às actas das reuniões de Câmara e das Assembleias Municipais e de Freguesia, analisar a documentação de uma consulta pública, requerer licenças, enviar comentários e sugestões directamente para os serviços da autarquia e realizar fóruns electrónicos e debates interactivos com os mais altos representantes políticos do Concelho.
Alguns podem pensar que tenho estado a falar num mundo virtual, tão distante que nem vale a pena prestar-lhe atenção, outros, concordarão que esta realidade está próxima e que, no limite, irá refundar o próprio conceito de cidadania.
A criação dos blogs foi mais um pequeno passo da sociedade civil montijense. Estejam os políticos à altura das expectativas dos cidadãos. Da minha parte, estas iniciativas merecerão toda a minha atenção e tudo farei para que o processo de relacionamento entre eleitos e eleitores seja estreitado.
E já que falamos de internet, aceito comentários ao artigo em: pedro.ladislau@netvisao.pt
Publicado em Jornal do Montijo, 01/10/2003
O Erro da Tourada “Cidade do Montijo”
As tardes de Agosto correm quentes e as merecidas férias proporcionam a actualização de algumas leituras há muito programadas mas nem sempre concretizadas. Entre os livros eleitos está “As Praças de Touros do Montijo” de Rui Aleixo, um livro ligeiro e bem ilustrado acerca das tradições tauromáquicas do nosso concelho, pautado por um louvável equilíbrio entre a emoção do escritor e o rigor científico das afirmações.
Vem este tema à baila devido à realização hoje à noite da Tourada Cidade do Montijo, inserida nas comemorações da elevação do Montijo a cidade.
Mais uma vez, o cartel apresentado apresenta um erro de “casting”, de escolha dos artistas. Não por falta de qualidade dos artistas convidados, mas pela falta de aposta na “prata da casa”. Não concebo que numa terra com tantas tradições tauromáquicas, a Tourada Cidade do Montijo não seja materializada numa oportunidade para os artistas montijenses brilharem na sua Praça.
Actualmente, o Montijo, possui, talvez, a par com Santarém, a maior e mais bem apetrechada Praça de Toiros em actividade do País, devido às obras do Campo Pequeno e à inactividade da Praça de Cascais.
Possui ainda dois grupos de forcados, a Tertúlia Tauromáquica e os Forcados Amadores do Montijo que, apesar de se encontrarem longe da forma que atingiram nas décadas de 60 e 70, são dignos representantes do Montijo em todas as Praças do País onde actuam.
Natural do concelho, é, ainda, o cavaleiro profissional Luís Rouxinol, com provas dadas a nível nacional e, quem sabe, um dos grandes triunfadores da actual temporada. Tudo isto, sem falar do jovem cavaleiro praticante Gilberto Filipe, que se afigura como um grande talento do toureio a cavalo nacional.
Se juntarmos a afficción de milhares de montijenses que, em momentos decisivos se sabe unir em torno de um objectivo, como o demonstrou, em 1957, no finaciamento e construção em tempo record da Monumental Amadeu Augusto dos Santos, temos todos os ingredientes para necessários para a realização de uma tourada inteiramente preenchida por artistas montijenses.
Infelizmente, não foi este o raciocínio que presidiu à escolha do cartel pelos actuais concessionários da Praça de Touros do Montijo, a empresa Tauro Arte, nem foi esta a contrapartida exigida pelo executivo socialista do Montijo, na atribuição do patrocínio ao evento.
Aliás, é curioso analisar a posição incongruente da Câmara Municipal que, por um lado, patrocina com milhares de euros a tourada e, por outro, subsidia as duas associações de forcados do Montijo, sem contudo garantir condições de actuação dessas mesmas associações perante o público montijense, os contribuintes líquidos desses subsídios.
Será que a Câmara do Montijo, tal como o concessionário da Praça de Touros, foi sensível ao argumento de não convidar os artistas montijenses para estes não fazerem má figura?...
Não haja enganos. Má figura faz a Câmara do Montijo ao patrocinar um evento de comemoração dos 18 anos de elevação do Montijo a cidade desprovido de artistas montijenses, à excepçãp do cavaleiro praticante Alvarito Bronze. Ao não assegurar a oportunidade dos artistas montijenses actuarem na sua Praça, uma das melhores do País, não está a incentivar o seu desenvolvimento e está a defraudar séculos de tradições tauromáquicas das nossas gentes.
Por mim, só espero que o erro não persista no próximo ano. Termino com uma citação de Joaquim Baldrico incluída no prefácio de “As Praças de Touros do Montijo”: o Montijo será tanto maior quanto maiores forem as suas tradições. Olé!
Publicado em Jornal do Montijo, 29/08/2003
Vem este tema à baila devido à realização hoje à noite da Tourada Cidade do Montijo, inserida nas comemorações da elevação do Montijo a cidade.
Mais uma vez, o cartel apresentado apresenta um erro de “casting”, de escolha dos artistas. Não por falta de qualidade dos artistas convidados, mas pela falta de aposta na “prata da casa”. Não concebo que numa terra com tantas tradições tauromáquicas, a Tourada Cidade do Montijo não seja materializada numa oportunidade para os artistas montijenses brilharem na sua Praça.
Actualmente, o Montijo, possui, talvez, a par com Santarém, a maior e mais bem apetrechada Praça de Toiros em actividade do País, devido às obras do Campo Pequeno e à inactividade da Praça de Cascais.
Possui ainda dois grupos de forcados, a Tertúlia Tauromáquica e os Forcados Amadores do Montijo que, apesar de se encontrarem longe da forma que atingiram nas décadas de 60 e 70, são dignos representantes do Montijo em todas as Praças do País onde actuam.
Natural do concelho, é, ainda, o cavaleiro profissional Luís Rouxinol, com provas dadas a nível nacional e, quem sabe, um dos grandes triunfadores da actual temporada. Tudo isto, sem falar do jovem cavaleiro praticante Gilberto Filipe, que se afigura como um grande talento do toureio a cavalo nacional.
Se juntarmos a afficción de milhares de montijenses que, em momentos decisivos se sabe unir em torno de um objectivo, como o demonstrou, em 1957, no finaciamento e construção em tempo record da Monumental Amadeu Augusto dos Santos, temos todos os ingredientes para necessários para a realização de uma tourada inteiramente preenchida por artistas montijenses.
Infelizmente, não foi este o raciocínio que presidiu à escolha do cartel pelos actuais concessionários da Praça de Touros do Montijo, a empresa Tauro Arte, nem foi esta a contrapartida exigida pelo executivo socialista do Montijo, na atribuição do patrocínio ao evento.
Aliás, é curioso analisar a posição incongruente da Câmara Municipal que, por um lado, patrocina com milhares de euros a tourada e, por outro, subsidia as duas associações de forcados do Montijo, sem contudo garantir condições de actuação dessas mesmas associações perante o público montijense, os contribuintes líquidos desses subsídios.
Será que a Câmara do Montijo, tal como o concessionário da Praça de Touros, foi sensível ao argumento de não convidar os artistas montijenses para estes não fazerem má figura?...
Não haja enganos. Má figura faz a Câmara do Montijo ao patrocinar um evento de comemoração dos 18 anos de elevação do Montijo a cidade desprovido de artistas montijenses, à excepçãp do cavaleiro praticante Alvarito Bronze. Ao não assegurar a oportunidade dos artistas montijenses actuarem na sua Praça, uma das melhores do País, não está a incentivar o seu desenvolvimento e está a defraudar séculos de tradições tauromáquicas das nossas gentes.
Por mim, só espero que o erro não persista no próximo ano. Termino com uma citação de Joaquim Baldrico incluída no prefácio de “As Praças de Touros do Montijo”: o Montijo será tanto maior quanto maiores forem as suas tradições. Olé!
Publicado em Jornal do Montijo, 29/08/2003
O Concerto da Operação Triunfo
Apesar da minha condição de dirigente local de uma juventude partidária, é a primeira vez que utilizo deliberadamente este espaço para falar dos jovens.
Este artigo bem podia denominar-se “o triunfo da juventude” ou “energia em palco”, tal foi o impacto que o concerto da Operação Triunfo teve na grande maioria dos espectadores.
Inicialmente, nem sequer tinha planeado assistir ao evento, e foi devido a um conjunto de sucessivas coincidências que passei parte do sábado à noite no velhinho Cais dos Vapores, rodeado de alguns amigos.
Não segui o programa televisivo durante o seu período de exibição nem sou fã de qualquer dos artistas em palco, e, devo confessar, foi com algum cepticismo, que me desloquei ao recinto.
Contudo, logo de início percebi que não daria o tempo por mal empregue. Primeiro pela pontualidade do início do espectáculo e pela grande afluência de público e para além disso, pelo misto de emoções e sentimentos que se geraram entre o público e os 15 artistas em palco.
Estes jovens vieram mais uma vez provar o valor, a garra, a energia e a força de vencer desta geração de jovens portugueses que também é a minha. Desde as 22h30m até à 1h00m foram incansáveis em palco e deslumbraram o vasto público que os foi ver.
Mas não é tanto do espectáculo que vos quero falar. Por si só, o evento não teria a relevância para lhe dedicar muitas linhas. Quero analisar todo o percurso público destes jovens que ao longo dos últimos meses conseguiram realizar alguns dos seus sonhos, demonstrando que com esforço, determinação, dedicação e um pouco de sorte é possível alcançar o que se julgava inatingível. Com a ajuda de profissionais altamente qualificados, com o apoio das famílias e o carinho do público, conseguiram vingar no mundo do espectáculo. Veremos como evoluem no futuro, mas uma etapa já está ultrapassada.
Quando se diz que a actual geração de jovens é uma “geração rasca” só se o faz por ignorância e não por falta de abundância de exemplos positivos. Nunca como hoje os jovens portugueses acompanharam tão de perto o progresso e as técnicas mais avançadas em todo o mundo, nem nunca como hoje os jovens portugueses se sentiram em pé de igualdade em relação a outros jovens dos países ditos mais avançados.
Reconheço que existem também alguns maus exemplos, mas onde não os há? O que é necessário é aproveitar estes pequenos exemplos de sucesso do dia-a-dia e replicá-los tanto quanto possível pela nossa sociedade, criando, a partir daí, um “núcleo duro” de jovens vencedores que sirvam de alavanca para o futuro do nosso País.
Não esquecerei tão cedo como a “Canção do Mar” ou o “Povo que Lavas no Rio” de Amália Rodrigues e Dulce Pontes soaram tão bem na voz doce, calma e setentrional de Sofia. Este é apenas um exemplo do que a actual geração de jovens pode fazer. Será que o País se pode dar ao luxo de não apostar em nós?
Publicado em Jornal do Montijo, 01/08/2004
Este artigo bem podia denominar-se “o triunfo da juventude” ou “energia em palco”, tal foi o impacto que o concerto da Operação Triunfo teve na grande maioria dos espectadores.
Inicialmente, nem sequer tinha planeado assistir ao evento, e foi devido a um conjunto de sucessivas coincidências que passei parte do sábado à noite no velhinho Cais dos Vapores, rodeado de alguns amigos.
Não segui o programa televisivo durante o seu período de exibição nem sou fã de qualquer dos artistas em palco, e, devo confessar, foi com algum cepticismo, que me desloquei ao recinto.
Contudo, logo de início percebi que não daria o tempo por mal empregue. Primeiro pela pontualidade do início do espectáculo e pela grande afluência de público e para além disso, pelo misto de emoções e sentimentos que se geraram entre o público e os 15 artistas em palco.
Estes jovens vieram mais uma vez provar o valor, a garra, a energia e a força de vencer desta geração de jovens portugueses que também é a minha. Desde as 22h30m até à 1h00m foram incansáveis em palco e deslumbraram o vasto público que os foi ver.
Mas não é tanto do espectáculo que vos quero falar. Por si só, o evento não teria a relevância para lhe dedicar muitas linhas. Quero analisar todo o percurso público destes jovens que ao longo dos últimos meses conseguiram realizar alguns dos seus sonhos, demonstrando que com esforço, determinação, dedicação e um pouco de sorte é possível alcançar o que se julgava inatingível. Com a ajuda de profissionais altamente qualificados, com o apoio das famílias e o carinho do público, conseguiram vingar no mundo do espectáculo. Veremos como evoluem no futuro, mas uma etapa já está ultrapassada.
Quando se diz que a actual geração de jovens é uma “geração rasca” só se o faz por ignorância e não por falta de abundância de exemplos positivos. Nunca como hoje os jovens portugueses acompanharam tão de perto o progresso e as técnicas mais avançadas em todo o mundo, nem nunca como hoje os jovens portugueses se sentiram em pé de igualdade em relação a outros jovens dos países ditos mais avançados.
Reconheço que existem também alguns maus exemplos, mas onde não os há? O que é necessário é aproveitar estes pequenos exemplos de sucesso do dia-a-dia e replicá-los tanto quanto possível pela nossa sociedade, criando, a partir daí, um “núcleo duro” de jovens vencedores que sirvam de alavanca para o futuro do nosso País.
Não esquecerei tão cedo como a “Canção do Mar” ou o “Povo que Lavas no Rio” de Amália Rodrigues e Dulce Pontes soaram tão bem na voz doce, calma e setentrional de Sofia. Este é apenas um exemplo do que a actual geração de jovens pode fazer. Será que o País se pode dar ao luxo de não apostar em nós?
Publicado em Jornal do Montijo, 01/08/2004
quinta-feira, julho 08, 2004
Balanço das Festas de S. Pedro 2003
Posso afirmar, sem grande controvérsia, que as Festas de S. Pedro constituem actualmente a maior manifestação anual da cultura e tradição montijense. A mistura entre o religioso e pagão e a celebração da devoção a S. Pedro e da festa brava, são os ingredientes principais que têm permitido o sucesso das festas de S. Pedro, desde a década de 1950.
Como montijense, quero aqui deixar o meu tributo à Associção de Comerciantes e a todos os que com ela colaboraram, por terem aceite o desafio para a organização das festas populares deste ano. Só assim, foi possível comemorar os 53 anos das Festas de S. Pedro e homenagear o núcleo de notáveis montijenses que, no longínquo ano de 1950, iniciaram formalmente os festejos de S. Pedro, tal como os conhecemos hoje.
Contudo, também como montijense, gostaria de partilhar com todos, uma reflexão crítica sobre a edição deste ano das festas de S. Pedro.
Apesar das restrições financeiras que a Comissão das Festas enfrentou este ano, penso que, de uma maneira geral, a grandeza das festas não saiu muito beliscada.
Começando pelos os aspectos positivos dos festejos, considero que o grande destaque vai para o movimento e dinamismo que finalmente regressou à Praça da República durante as festas, para o qual muito contribuiram as esplanadas do recém-inaugurado café da Praça, do café da Joana e do café da Copélia. A Praça da República que, nos anos anteriores, era apenas um local de passagem entre o recinto da feira e as largadas, finalmente conseguiu transformar-se num aprazível local de convívio e de permanência.
Por outro lado, penso que o abandono do modelo dos anos passados e o retorno à configuração tradicional das festas, com a realização dos festejos religiosos centrado no Bairro dos Pescadores e da festa Brava nas Ruas do Norte e do Cemitério, permitiram uma melhor distribuição de públicos e um verdadeiro regresso às origens sociológicas dos dois grandes pólos de desenvolvimento da cidade do Montijo: os pescadores e mareantes, por um lado, que ocupavam a área agora compreendida entre a Praça da República e a Igreja do Sr. dos Aflitos e os aldeanos, proprietários e trabalhadores rurais, com o seu núcleo original na Rua do Norte.
Por último, quero referir com agrado a patrulha da polícia de intervenção que, de início me pareceu exagerada mas que, de forma discreta mas presente, garantiu a segurança de todos, tendo sido inclusivamente necessária a realização de uma pequena intervenção para a resolução de escaramuças na “noite dos comes e bebes”, junto ao cemitério, fruto do adiantado da hora e do consumo exagerado de álcool.
Em termos de aspectos negativos, destaco, primeiramente, a escolha de alguns artistas convidados, a localização do palco principal das festas e o horário de realização de alguns dos eventos. Se, o objectivo era conciliar a tradição com a modernidade, deixem-me dizer que, na minha opinião, não foi bem conseguido. O espectáculo de raios laser foi fraco e comparável a qualquer festa de província e o concerto de Sérgio Godinho não chegou sequer para aquecer o público jovem, que não compareceu em grande escala ao evento. Para além do mais, a localização do palco principal no Cais dos Vapores, um local desabrigado e ventoso, não contribuiu em nada para a grande afluência de público nos espectáculos ali realizados.
Em termos dos horários a que se realizaram alguns eventos, é óbvio que não são consentâneos com a vida da maior parte dos trabalhodres do Montijo e que devem ser repensados a bem da afluência de público, este ano claramente inferior aos anos passados na noite dos comes e bebes e no espectáculo da queima do batel. Não é admissível que a procissão termine por volta das 00h30m de um domingo, que o fogo de artifício de encerramento da procissão seja deitado à 01h10m desse mesmo dia, que as largadas de toiros da “noite dos comes e bebes” se iniciem às 04h30m da madrugada e que a “queima do batel” decorra entre a 01h00m e as 2h00m da noite de terça para quarta-feira.
Outro aspecto menos positivo é a constante alteração da entidade que assegura a organização das festas: de há uns anos a esta parte, se a memória não me falha, a Comisão de Festas foi já assegurada pela SCUPA, pela Tertúlia Tauromáquica e, este ano, pela Associação de Comerciantes. Longe destas alternâncias significarem um crescente dinamismo no movimeto associativo local, são o espelho de um constante “empurrar para o lado” e um começar de novo todos os anos, com os consequentes custos em termos de aprendizagem e de erros cometidos.
Por último, e a meu ver, o mais grave de todos os erros cometidos, é a falta de promoção regional e nacional das nossas festas populares. Actualmente, as cidades têm de se saber vender no mercado de turismo nacional, e acontecimentos como as Festas de S. Pedro não podem ser ignorados pela Câmara Municipal na promoção do Montijo como um Concelho de fortes tradições religiosas e da festa brava. E se o bom senso não bastar, olhemos para os exemplos das vizinhas vilas da Moita e de Alcochete, que não perdem oportunidades destas para se promoverem.
Vamos ver se, em 2004, conseguimos aprender com a experiência deste ano.
Publicado em Jornal do Montijo, 01/07/2003
Como montijense, quero aqui deixar o meu tributo à Associção de Comerciantes e a todos os que com ela colaboraram, por terem aceite o desafio para a organização das festas populares deste ano. Só assim, foi possível comemorar os 53 anos das Festas de S. Pedro e homenagear o núcleo de notáveis montijenses que, no longínquo ano de 1950, iniciaram formalmente os festejos de S. Pedro, tal como os conhecemos hoje.
Contudo, também como montijense, gostaria de partilhar com todos, uma reflexão crítica sobre a edição deste ano das festas de S. Pedro.
Apesar das restrições financeiras que a Comissão das Festas enfrentou este ano, penso que, de uma maneira geral, a grandeza das festas não saiu muito beliscada.
Começando pelos os aspectos positivos dos festejos, considero que o grande destaque vai para o movimento e dinamismo que finalmente regressou à Praça da República durante as festas, para o qual muito contribuiram as esplanadas do recém-inaugurado café da Praça, do café da Joana e do café da Copélia. A Praça da República que, nos anos anteriores, era apenas um local de passagem entre o recinto da feira e as largadas, finalmente conseguiu transformar-se num aprazível local de convívio e de permanência.
Por outro lado, penso que o abandono do modelo dos anos passados e o retorno à configuração tradicional das festas, com a realização dos festejos religiosos centrado no Bairro dos Pescadores e da festa Brava nas Ruas do Norte e do Cemitério, permitiram uma melhor distribuição de públicos e um verdadeiro regresso às origens sociológicas dos dois grandes pólos de desenvolvimento da cidade do Montijo: os pescadores e mareantes, por um lado, que ocupavam a área agora compreendida entre a Praça da República e a Igreja do Sr. dos Aflitos e os aldeanos, proprietários e trabalhadores rurais, com o seu núcleo original na Rua do Norte.
Por último, quero referir com agrado a patrulha da polícia de intervenção que, de início me pareceu exagerada mas que, de forma discreta mas presente, garantiu a segurança de todos, tendo sido inclusivamente necessária a realização de uma pequena intervenção para a resolução de escaramuças na “noite dos comes e bebes”, junto ao cemitério, fruto do adiantado da hora e do consumo exagerado de álcool.
Em termos de aspectos negativos, destaco, primeiramente, a escolha de alguns artistas convidados, a localização do palco principal das festas e o horário de realização de alguns dos eventos. Se, o objectivo era conciliar a tradição com a modernidade, deixem-me dizer que, na minha opinião, não foi bem conseguido. O espectáculo de raios laser foi fraco e comparável a qualquer festa de província e o concerto de Sérgio Godinho não chegou sequer para aquecer o público jovem, que não compareceu em grande escala ao evento. Para além do mais, a localização do palco principal no Cais dos Vapores, um local desabrigado e ventoso, não contribuiu em nada para a grande afluência de público nos espectáculos ali realizados.
Em termos dos horários a que se realizaram alguns eventos, é óbvio que não são consentâneos com a vida da maior parte dos trabalhodres do Montijo e que devem ser repensados a bem da afluência de público, este ano claramente inferior aos anos passados na noite dos comes e bebes e no espectáculo da queima do batel. Não é admissível que a procissão termine por volta das 00h30m de um domingo, que o fogo de artifício de encerramento da procissão seja deitado à 01h10m desse mesmo dia, que as largadas de toiros da “noite dos comes e bebes” se iniciem às 04h30m da madrugada e que a “queima do batel” decorra entre a 01h00m e as 2h00m da noite de terça para quarta-feira.
Outro aspecto menos positivo é a constante alteração da entidade que assegura a organização das festas: de há uns anos a esta parte, se a memória não me falha, a Comisão de Festas foi já assegurada pela SCUPA, pela Tertúlia Tauromáquica e, este ano, pela Associação de Comerciantes. Longe destas alternâncias significarem um crescente dinamismo no movimeto associativo local, são o espelho de um constante “empurrar para o lado” e um começar de novo todos os anos, com os consequentes custos em termos de aprendizagem e de erros cometidos.
Por último, e a meu ver, o mais grave de todos os erros cometidos, é a falta de promoção regional e nacional das nossas festas populares. Actualmente, as cidades têm de se saber vender no mercado de turismo nacional, e acontecimentos como as Festas de S. Pedro não podem ser ignorados pela Câmara Municipal na promoção do Montijo como um Concelho de fortes tradições religiosas e da festa brava. E se o bom senso não bastar, olhemos para os exemplos das vizinhas vilas da Moita e de Alcochete, que não perdem oportunidades destas para se promoverem.
Vamos ver se, em 2004, conseguimos aprender com a experiência deste ano.
Publicado em Jornal do Montijo, 01/07/2003
O Cemitério do Pinhal do Fidalgo
Não é só no Entroncamento que existem fenómenos estranhos. Ultimamente, no Montijo também se têm passado coisas do arco da velha.
Caso único a nível nacional e, quem sabe, se a nível mundial, o Montijo tem, a partir do dia 27 de Maio, um cemitério municipal que passou a ser propriedade de uma empresa do ramo imobiliário.
Não, não se trata de uma reviravolta ideológica no executivo socialista a favor do capitalismo selvagem, da privatização dos espaços públicos, nem sequer da venda do património municipal para fazer face à queda abrupta das receitas camarárias provenientes da construção civil.
Trata-se, simplesmente, de um caso criminoso de má gestão do património público!
Este caso, que remonta ao tempo em que Primo Jaleco era Presidente da Autarquia Montijense, constitui um verdadeiro manual de práticas a evitar na gestão de terrenos camarários.
Quando, em 1989, a Câmara do Montijo doou a uma empresa os referidos terrenos (com cerca de 81.000 m2) para a construção de um mercado de produtos agrícolas de origem, não foram acautelados as cláusulas legais de reversão para o Município em caso de incumprimento do contrato, o que se veio a verificar.
Os responsáveis pela redacção e assinatura dos contratos por parte da Autarquia ainda não foram encontrados nem responsabilizados pelos danos patrimoniais que a sua negligência causou ao Montijo.
Já em 1994, com o executivo comunista à frente da Autarquia, e face à necessidade de construção de um novo cemitério municipal, foi decidida a sua construção nos terrenos anterioremente doados, e que não constituiam património da Câmara. Mais um atropelo a todas as regras de bom senso: como é possível pensar-se na construção de um cemitério municipal num terreno que não pertence sequer à Autarquia?!
Mais outra vez em que os responsáveis estão por apurar e por ser responsabilizados pelos seus actos.
Finalmente, após o acumular de dívidas e a consequente falência da empresa a quem a Câmara doou o terreno, após inúmeras tentativas goradas de reuniões entre todas as partes e a constatação da impossiblidade legal da reversão dos terrenos para a Autarquia, realizou-se a hasta pública do terreno que, entretanto, tinha sido penhorado.
A Câmara do Montijo, por iniciativa da sua Presidente, fez questão em gritar alto e bom som que a sua proposta seria apenas o valor base de licitação do terreno.
Enfim... mais um acto de ingenuidade imperdoável, já que por essa forma mostrou o seu jogo a todos os interessados no terreno.
Assim, após terem conhecimento do valor da proposta da Câmara, os agentes imobiliários fizeram as suas contas e verificaram que, afinal o terreno valia muito mais que os cerca de 51 mil contos (€ 256.005, 94) que a Câmara se propunha pagar, até porque o terreno está classificado como zona urbana, podendo nele ser construídos edifícios para habitação, comércio e serviços.
Desta forma, e apesar do estranho fenómeno de termos uma imobiliária interessada num cemitério (que representa 25% do total do terreno), o que é facto é que se assistiu ao caricato de cemitério do Pinhal do Fidalgo ser agora propriedade privada.
É claro que a Dra. Amélia Antunes anunciou logo de seguida que vai continuar a defender os interesses dos Montijenses, que vai pôr a questão em tribunal... o habitual discurso das lágrimas sobre o leite derramado.
O que é facto é que ninguém se lembrou dos Montijenses... daqueles cujos familiares e entes queridos estão sepultados naqueles terrenos, e que pdoerão vir a ser impedidos de fazer o culto aos seus mortos dado que estão a trespassar propriedade privada...
A estes, não faz referência o comunicado do executivo socialista que, durante todo o processo, concentrou mais energias nas lutas políticas internas pelo domínio da Secção do Montijo do que na tentativa de remediar uma solução sensível para todos nós.
Os responsáveis têm de ser punidos!
Publicado em Jornal do Montijo, 01/06/2003
Caso único a nível nacional e, quem sabe, se a nível mundial, o Montijo tem, a partir do dia 27 de Maio, um cemitério municipal que passou a ser propriedade de uma empresa do ramo imobiliário.
Não, não se trata de uma reviravolta ideológica no executivo socialista a favor do capitalismo selvagem, da privatização dos espaços públicos, nem sequer da venda do património municipal para fazer face à queda abrupta das receitas camarárias provenientes da construção civil.
Trata-se, simplesmente, de um caso criminoso de má gestão do património público!
Este caso, que remonta ao tempo em que Primo Jaleco era Presidente da Autarquia Montijense, constitui um verdadeiro manual de práticas a evitar na gestão de terrenos camarários.
Quando, em 1989, a Câmara do Montijo doou a uma empresa os referidos terrenos (com cerca de 81.000 m2) para a construção de um mercado de produtos agrícolas de origem, não foram acautelados as cláusulas legais de reversão para o Município em caso de incumprimento do contrato, o que se veio a verificar.
Os responsáveis pela redacção e assinatura dos contratos por parte da Autarquia ainda não foram encontrados nem responsabilizados pelos danos patrimoniais que a sua negligência causou ao Montijo.
Já em 1994, com o executivo comunista à frente da Autarquia, e face à necessidade de construção de um novo cemitério municipal, foi decidida a sua construção nos terrenos anterioremente doados, e que não constituiam património da Câmara. Mais um atropelo a todas as regras de bom senso: como é possível pensar-se na construção de um cemitério municipal num terreno que não pertence sequer à Autarquia?!
Mais outra vez em que os responsáveis estão por apurar e por ser responsabilizados pelos seus actos.
Finalmente, após o acumular de dívidas e a consequente falência da empresa a quem a Câmara doou o terreno, após inúmeras tentativas goradas de reuniões entre todas as partes e a constatação da impossiblidade legal da reversão dos terrenos para a Autarquia, realizou-se a hasta pública do terreno que, entretanto, tinha sido penhorado.
A Câmara do Montijo, por iniciativa da sua Presidente, fez questão em gritar alto e bom som que a sua proposta seria apenas o valor base de licitação do terreno.
Enfim... mais um acto de ingenuidade imperdoável, já que por essa forma mostrou o seu jogo a todos os interessados no terreno.
Assim, após terem conhecimento do valor da proposta da Câmara, os agentes imobiliários fizeram as suas contas e verificaram que, afinal o terreno valia muito mais que os cerca de 51 mil contos (€ 256.005, 94) que a Câmara se propunha pagar, até porque o terreno está classificado como zona urbana, podendo nele ser construídos edifícios para habitação, comércio e serviços.
Desta forma, e apesar do estranho fenómeno de termos uma imobiliária interessada num cemitério (que representa 25% do total do terreno), o que é facto é que se assistiu ao caricato de cemitério do Pinhal do Fidalgo ser agora propriedade privada.
É claro que a Dra. Amélia Antunes anunciou logo de seguida que vai continuar a defender os interesses dos Montijenses, que vai pôr a questão em tribunal... o habitual discurso das lágrimas sobre o leite derramado.
O que é facto é que ninguém se lembrou dos Montijenses... daqueles cujos familiares e entes queridos estão sepultados naqueles terrenos, e que pdoerão vir a ser impedidos de fazer o culto aos seus mortos dado que estão a trespassar propriedade privada...
A estes, não faz referência o comunicado do executivo socialista que, durante todo o processo, concentrou mais energias nas lutas políticas internas pelo domínio da Secção do Montijo do que na tentativa de remediar uma solução sensível para todos nós.
Os responsáveis têm de ser punidos!
Publicado em Jornal do Montijo, 01/06/2003
Os Espinhos da Revolução
Na passada semana celebraram-se os 29 anos do 25 de Abril. Esta semana comemora-se o 1º de Maio, uma das conquistas da revolução de Abril. A altura é mais do que propícia para a reflexão dos impactos do 25 de Abril na sociedade portuguesa. De uma forma aberta e frontal, sem complexos, sem medos e sem cedências a sentimentalismos e aventuras românticas. Analisando os factos e os seus impactos no Portugal de hoje de forma racional e coerente.
Basta de discursos ocos e repetidos ano após ano, por conveniência ou por reverência. Se, por um lado, os jovens que como eu não assistiram à revolução, podem ser acusados de não terem passado pela experiência, têm por outro lado, um estatuto de desprendimento e lucidez não toldada pela intervenção directa, que lhes permite mais facilmente o distanciamento e a imparcialidade necessária a uma reflexão séria e honesta sobre este tema.
Assim, e fazendo uso de uma ferramenta simples da Economia, a análise custo-benefício, pode-se concluir que, apesar de favorável à libertação de Portugal do regime corporativo de Salazar, a forma encontrada para o fazer – a revolução de Abril – foi decerto bastante prejudicial para o futuro de país, e que ainda se reflecte negativamente nos dias de hoje.
Senão vejamos, em termos de benefícios directos, o 25 de Abril trouxe-nos 3 grandes conquistas: a liberdade em termos de expressão, associativismo e de acção, o fim da guerra colonial que ameaçava eternizar-se e a consciência solidária de que o futuro da pátria dependia do que conseguíssemos ser como povo. Enquanto que este último fenómeno deu origem a manifestações socias interessantes como a mobilização de jovens estudantes e licenciados para a província com o objectivo de alfabetizar e garantir os serviços mínimos de saúde a populações desfavorecidas, o que é facto é que esses esforços rapidamente desvaneceram e cessaram. Quanto à guerra colonial, consta que Marcelo Caetano teria já encetado contactos com os líderes dos movimentos independentistas das colónias com o objectivo de terminar o conflito e quanto à liberdade, não é sequer necessário referir os excessos que dela surgiram no período do PREC...
Em termos de custos, os verdadeiros espinhos da revolução, divido-os também em 3 grandes categorias: as nacionalizações e a desestruturação da estrutura privada do país, a descolonização não planeada e a perda (no seu sentido mais amplo) do Império Colonial e o fim do ciclo de ouro de crescimento da economia portuguesa, iniciado em 1960 e terminado abruptamente em 1974.
As nacionalizações privaram o Portugal de hoje dos poucos grupos económicos sólidos, criados e sedimentados durante a época de Salazar, especialmente no que diz respeito ao sector financeiro e de indústrias pesadas, obrigando à fuga de capitais e gestores para o estrangeiro. Adicionalmente, arruinaram pequenos produtores privados que viram as suas terras e fábricas confiscadas pelo Estado. O vergonhoso processo de descolonização não garantiu a dignidade dos portugueses que residiam nas Colónias e o estabelecimento de relações privilegiadas entre Portugal e os PALOP, ao contrário do exemplo do Reino Unido com a criação da Commonwealth. O crescimento económico alcançado pelo nosso país entre 1960 e 1973 (o maior da Europa e apenas ultrapassado por três países no mundo: Japão, Coreia do Sul e Singapura) também foi comprometido, inicialmente pelo choque petrolífero, e posteriormente pela desorganização total da estrutura produtiva resultante do 25 de Abril.
Deste modo, concluo, afirmando que parte dos méritos do 25 de Abril foram ofuscados pelos excessos cometidos e que Portugal teria beneficiado muito mais deste salto para a Democracia se tivesse enveredado por uma solução de transição democrática semelhante à que ocorreu em Espanha, sem rupturas estruturais, sem excessos e extremismos de esquerda e com um grande sentido de Estado.
Esta é a visão racional e factual dos acontecimentos, a outra perspectiva, saudosista e irracional, deixo-a para os vendilhões do templo.
Publicado em Jornal do Montijo, 01/05/2003
Basta de discursos ocos e repetidos ano após ano, por conveniência ou por reverência. Se, por um lado, os jovens que como eu não assistiram à revolução, podem ser acusados de não terem passado pela experiência, têm por outro lado, um estatuto de desprendimento e lucidez não toldada pela intervenção directa, que lhes permite mais facilmente o distanciamento e a imparcialidade necessária a uma reflexão séria e honesta sobre este tema.
Assim, e fazendo uso de uma ferramenta simples da Economia, a análise custo-benefício, pode-se concluir que, apesar de favorável à libertação de Portugal do regime corporativo de Salazar, a forma encontrada para o fazer – a revolução de Abril – foi decerto bastante prejudicial para o futuro de país, e que ainda se reflecte negativamente nos dias de hoje.
Senão vejamos, em termos de benefícios directos, o 25 de Abril trouxe-nos 3 grandes conquistas: a liberdade em termos de expressão, associativismo e de acção, o fim da guerra colonial que ameaçava eternizar-se e a consciência solidária de que o futuro da pátria dependia do que conseguíssemos ser como povo. Enquanto que este último fenómeno deu origem a manifestações socias interessantes como a mobilização de jovens estudantes e licenciados para a província com o objectivo de alfabetizar e garantir os serviços mínimos de saúde a populações desfavorecidas, o que é facto é que esses esforços rapidamente desvaneceram e cessaram. Quanto à guerra colonial, consta que Marcelo Caetano teria já encetado contactos com os líderes dos movimentos independentistas das colónias com o objectivo de terminar o conflito e quanto à liberdade, não é sequer necessário referir os excessos que dela surgiram no período do PREC...
Em termos de custos, os verdadeiros espinhos da revolução, divido-os também em 3 grandes categorias: as nacionalizações e a desestruturação da estrutura privada do país, a descolonização não planeada e a perda (no seu sentido mais amplo) do Império Colonial e o fim do ciclo de ouro de crescimento da economia portuguesa, iniciado em 1960 e terminado abruptamente em 1974.
As nacionalizações privaram o Portugal de hoje dos poucos grupos económicos sólidos, criados e sedimentados durante a época de Salazar, especialmente no que diz respeito ao sector financeiro e de indústrias pesadas, obrigando à fuga de capitais e gestores para o estrangeiro. Adicionalmente, arruinaram pequenos produtores privados que viram as suas terras e fábricas confiscadas pelo Estado. O vergonhoso processo de descolonização não garantiu a dignidade dos portugueses que residiam nas Colónias e o estabelecimento de relações privilegiadas entre Portugal e os PALOP, ao contrário do exemplo do Reino Unido com a criação da Commonwealth. O crescimento económico alcançado pelo nosso país entre 1960 e 1973 (o maior da Europa e apenas ultrapassado por três países no mundo: Japão, Coreia do Sul e Singapura) também foi comprometido, inicialmente pelo choque petrolífero, e posteriormente pela desorganização total da estrutura produtiva resultante do 25 de Abril.
Deste modo, concluo, afirmando que parte dos méritos do 25 de Abril foram ofuscados pelos excessos cometidos e que Portugal teria beneficiado muito mais deste salto para a Democracia se tivesse enveredado por uma solução de transição democrática semelhante à que ocorreu em Espanha, sem rupturas estruturais, sem excessos e extremismos de esquerda e com um grande sentido de Estado.
Esta é a visão racional e factual dos acontecimentos, a outra perspectiva, saudosista e irracional, deixo-a para os vendilhões do templo.
Publicado em Jornal do Montijo, 01/05/2003

