quinta-feira, julho 08, 2004

 

Balanço das Festas de S. Pedro 2003

Posso afirmar, sem grande controvérsia, que as Festas de S. Pedro constituem actualmente a maior manifestação anual da cultura e tradição montijense. A mistura entre o religioso e pagão e a celebração da devoção a S. Pedro e da festa brava, são os ingredientes principais que têm permitido o sucesso das festas de S. Pedro, desde a década de 1950.

Como montijense, quero aqui deixar o meu tributo à Associção de Comerciantes e a todos os que com ela colaboraram, por terem aceite o desafio para a organização das festas populares deste ano. Só assim, foi possível comemorar os 53 anos das Festas de S. Pedro e homenagear o núcleo de notáveis montijenses que, no longínquo ano de 1950, iniciaram formalmente os festejos de S. Pedro, tal como os conhecemos hoje.

Contudo, também como montijense, gostaria de partilhar com todos, uma reflexão crítica sobre a edição deste ano das festas de S. Pedro.

Apesar das restrições financeiras que a Comissão das Festas enfrentou este ano, penso que, de uma maneira geral, a grandeza das festas não saiu muito beliscada.

Começando pelos os aspectos positivos dos festejos, considero que o grande destaque vai para o movimento e dinamismo que finalmente regressou à Praça da República durante as festas, para o qual muito contribuiram as esplanadas do recém-inaugurado café da Praça, do café da Joana e do café da Copélia. A Praça da República que, nos anos anteriores, era apenas um local de passagem entre o recinto da feira e as largadas, finalmente conseguiu transformar-se num aprazível local de convívio e de permanência.

Por outro lado, penso que o abandono do modelo dos anos passados e o retorno à configuração tradicional das festas, com a realização dos festejos religiosos centrado no Bairro dos Pescadores e da festa Brava nas Ruas do Norte e do Cemitério, permitiram uma melhor distribuição de públicos e um verdadeiro regresso às origens sociológicas dos dois grandes pólos de desenvolvimento da cidade do Montijo: os pescadores e mareantes, por um lado, que ocupavam a área agora compreendida entre a Praça da República e a Igreja do Sr. dos Aflitos e os aldeanos, proprietários e trabalhadores rurais, com o seu núcleo original na Rua do Norte.

Por último, quero referir com agrado a patrulha da polícia de intervenção que, de início me pareceu exagerada mas que, de forma discreta mas presente, garantiu a segurança de todos, tendo sido inclusivamente necessária a realização de uma pequena intervenção para a resolução de escaramuças na “noite dos comes e bebes”, junto ao cemitério, fruto do adiantado da hora e do consumo exagerado de álcool.

Em termos de aspectos negativos, destaco, primeiramente, a escolha de alguns artistas convidados, a localização do palco principal das festas e o horário de realização de alguns dos eventos. Se, o objectivo era conciliar a tradição com a modernidade, deixem-me dizer que, na minha opinião, não foi bem conseguido. O espectáculo de raios laser foi fraco e comparável a qualquer festa de província e o concerto de Sérgio Godinho não chegou sequer para aquecer o público jovem, que não compareceu em grande escala ao evento. Para além do mais, a localização do palco principal no Cais dos Vapores, um local desabrigado e ventoso, não contribuiu em nada para a grande afluência de público nos espectáculos ali realizados.

Em termos dos horários a que se realizaram alguns eventos, é óbvio que não são consentâneos com a vida da maior parte dos trabalhodres do Montijo e que devem ser repensados a bem da afluência de público, este ano claramente inferior aos anos passados na noite dos comes e bebes e no espectáculo da queima do batel. Não é admissível que a procissão termine por volta das 00h30m de um domingo, que o fogo de artifício de encerramento da procissão seja deitado à 01h10m desse mesmo dia, que as largadas de toiros da “noite dos comes e bebes” se iniciem às 04h30m da madrugada e que a “queima do batel” decorra entre a 01h00m e as 2h00m da noite de terça para quarta-feira.

Outro aspecto menos positivo é a constante alteração da entidade que assegura a organização das festas: de há uns anos a esta parte, se a memória não me falha, a Comisão de Festas foi já assegurada pela SCUPA, pela Tertúlia Tauromáquica e, este ano, pela Associação de Comerciantes. Longe destas alternâncias significarem um crescente dinamismo no movimeto associativo local, são o espelho de um constante “empurrar para o lado” e um começar de novo todos os anos, com os consequentes custos em termos de aprendizagem e de erros cometidos.

Por último, e a meu ver, o mais grave de todos os erros cometidos, é a falta de promoção regional e nacional das nossas festas populares. Actualmente, as cidades têm de se saber vender no mercado de turismo nacional, e acontecimentos como as Festas de S. Pedro não podem ser ignorados pela Câmara Municipal na promoção do Montijo como um Concelho de fortes tradições religiosas e da festa brava. E se o bom senso não bastar, olhemos para os exemplos das vizinhas vilas da Moita e de Alcochete, que não perdem oportunidades destas para se promoverem.

Vamos ver se, em 2004, conseguimos aprender com a experiência deste ano.

Publicado em Jornal do Montijo, 01/07/2003
Comments:
sinceramente as festas este ano nao foram organizadas pla scupa outra vez?tenho a ideia de ter lido e falado com pessoas acerca disso.o maior problema destes tempos é que agora qualquer bairro faz as suas festas e os apoios que eram quase todos canalizados para a do montijo agora têm de ser mais repartidos,tipo festas do areias,bela vista...
a unica consolaçao continua a ser o alcool.
 
Enviar um comentário

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?